sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

STEFANNI MARION: POEMA


(Jb Lazzarini)


.e deixo malogradas.

a vidraça me transporta malogrado
contornado o horizonte cristalino.
e já não há lágrimas remanescentes
apenas a brisa e o apagar da lamparina.

e deixo o pai e o filho
tecidos num lenço de moralidades.
dor e escárnio navegantes
pulsando em meus pulmões que se despertam.

descendo as encostas da serra
vou buscando meu mar de vigo.
o coração desnudado na ribanceira
e o vento me desloca em poesia.

- diante de ti sou como um crucifixo!
abro minhas chagas para que me banhes,
como banharias um recém-nascido
caucasiano na noite profunda.

sinto a comoção e os segredos dos apitos.
é meia-noite e saudações reluzem,
sou esse estrondo em luzes diminutas.
meu corpo explode.

coloridas flores nascem no céu,
luzes se abrilhantam sob mim.
como um forasteiro saúdo o sonho
e deixo malogradas
as lágrimas para a eternidade.

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