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terça-feira, 13 de julho de 2010

JEFFERSON BESSA: POEMA

(Marcelo Grassmann)
PARA ME CHOVER

permaneço no quarto que não se abre
a chuva já começou a cair
a rua está úmida, as águas acontecem
abriram-se as portas, mas a demora
me continua na noite do calor passado
sentado ainda no ontem que estou.
demorado quarto dentro de paredes
arrastadas na distância de banharem-se
à espera do lentamente vir do tempo
e no espaço desembrulharem as camadas
pintadas de concreto resistente ao frescor
confinadas no intervalo anterior à manhã.

aguardarei a hora da tarde para me chover.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

JEFFERSON BESSA: POEMA

(Caspar David Friedrich)
MURO

só compreendo um muro
vendo o homem primeiro
sentado em meio aos montes-
em abrigo receoso
só compreendo um muro
se vejo esse mesmo homem
pisando a marcação
na vertigem das posses
só compreendo um muro
pelo medo nostálgico
do homem que via o sol
se pôr antes da noite
só compreendo um muro
se a guarda do que é cerco
fecha-se atrás das costas
e arrasta um deus pesado

sábado, 22 de maio de 2010

JEFFERSON BESSA: POEMA


Pernas Cruzadas


logo que chegou ao bar

seu corpo pediu todos os olhares

mas num instante o vi falecer

embaçar.

o corpo que não transpira

derrete

para se molhar em poses.

e assim foi.


sentou-se à cadeira

de pernas cruzadas

e de tão embaraçadas

as pernas se fizeram

grandes bengalas

que assim carregam

a beleza que pesa

e que arrasta no rosto.


ah... mas se este corpo

chegasse

sem dar ares ao cheiro...

se este corpo

escorresse

a água da pele

pelo salão

e borrifasse às minhas narinas...