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domingo, 29 de abril de 2012

PEDRO DU BOIS: POEMA


(Jb Lazzarini)

LUGARES

Evito os lugares
altos

busco na planície a certeza
de estar cercado

conheço da terra a altura
necessária ao estabelecimento
dos limites

no alto o pássaro transita
em declínio. No chão a fera
ostenta a vontade

- pertenço ao solo inconcluso
das certezas incomunicáveis.

PEDRO DU BOIS: POEMA


(Jb Lazzarini)


TARDE

Nada espero da tarde
o anoitecer (manto)
mente sofrimentos
nos encantos (tantos)
perdidos após a hora:

manhãs iniciadas
frias em após auroras
desconhecem as luzes
do impedimento: crescer
e se fazer tarde (passagem)
em lamentos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

STEFANNI MARION: POEMA


(Jb Lazzarini)


.e deixo malogradas.

a vidraça me transporta malogrado
contornado o horizonte cristalino.
e já não há lágrimas remanescentes
apenas a brisa e o apagar da lamparina.

e deixo o pai e o filho
tecidos num lenço de moralidades.
dor e escárnio navegantes
pulsando em meus pulmões que se despertam.

descendo as encostas da serra
vou buscando meu mar de vigo.
o coração desnudado na ribanceira
e o vento me desloca em poesia.

- diante de ti sou como um crucifixo!
abro minhas chagas para que me banhes,
como banharias um recém-nascido
caucasiano na noite profunda.

sinto a comoção e os segredos dos apitos.
é meia-noite e saudações reluzem,
sou esse estrondo em luzes diminutas.
meu corpo explode.

coloridas flores nascem no céu,
luzes se abrilhantam sob mim.
como um forasteiro saúdo o sonho
e deixo malogradas
as lágrimas para a eternidade.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A POESIA DE NYDIA BONETTI E A PINTURA DE JB LAZZARINI

(Jb Lazzarini)



uma canção antiga na língua da tarde


sem alarde

invade

vidraças

dissoluta atravessa cortinas

dissolve véus

vestidos

vestígios do dia - quer tocar na pele

nua

que se insinua

ao ouvir a canção - epifania - estrelas

em meio aos escombros

lua cheia - qualquer ruído será

música



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ROMÉRIO RÔMULO: POEMAS

(JB Lazzarini)




dezembro 1, 2

1.

neste dezembro eu vou pisar o estio

com toda a truculência do vazio.

2.

me declaro cavalo e pecador

temporais de um corpo inexistente.

em dezembro me caso por amor.


o corte da terra

a vida, solidão, toda impotência

caminha numa pele de novelo

onde ela rasga a carne em desmantelo

a demonstrar ao mundo abstinência.

pudera ser mais torpe e mais estrada

nos meus cavalos, encantos, aguaceiros.

a vida se acabou em quase nada.


à clara moça dos poetas

sou casto pelo corpo e suas névoas

na rouquidão das guerras que nos partem

nas armas mais sutis que nos magoam

o corpo e a alma das vertentes podres

só me abalam em terras arrasadas

de aço chucro, de cimento aspro.

você é a clara moça dos poetas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011