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quarta-feira, 30 de maio de 2012

GABRIEL RÜBINGER: POEMA


(Tintoretto)

EU SÓ TENHO UM ROSAL

inspirado pelo magno Febus


No passado chorei por amores
que deixaram só dor em meu seio.
Hoje em lágrima e dor ando cheio.


 No passado reguei belas flores
 que murcharam, sem pena nenhuma.
 Hoje eu ando à procura de alguma.


 Eu só tenho um amor: Cristo santo,

 eu só tenho um rosal: o de pranto.
 
 

GABRIEL RÜBINGER: POEMA


(Lawrence Alma Tadema)


Inquietação

Onde deixei meu coração baldio?
Na tarde de um outono envelhecido,
de folhas a carpir os desenganos
de quem viveu e não amou a vida?


Queixei-me, ao alaúde, das venturas
que agora o vento trouxe. Consolou-me
o vulto violeta de uma breve
verbena que soltou-se de seu galho...


Vesti as ilusões e os velhos sonhos
da imensidão dos campos do cerrado
e cavalguei em nuvens e estrelas.


Banhei meus pés nas lágrimas de um rio
que eu mesmo derramei. Se eu amava,
eu já não sei. Lavei minha alma escrava.


GABRIEL RÜBINGER: POEMA


(Pietro Perugino)

ROMARIA

ao magno Rommel Werneck

Que cântico é esse que me invade,
doloso, o quarto? Vejo da sacada
a procissão trilhando a velha estrada,
e implorando aos céus a piedade.

Das velas há a branda claridade,
que tremeluz no vento... rutilada,
a voz do coro rasga a madrugada,
e eu choro pela minha mocidade...

Quanto pesar nas vozes inocentes,
como se Deus a todos condenasse
e acorrentasse sem usar correntes!

Eu rezarei por mim... Se não amasse,
não doeria o teu olhar ausente...
Oh...Quem me vela é só de Cristo a face.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

GABRIEL RÜBINGER: POEMA




Lux Aeterna


A Luz Eterna andante invade os lares,
Quasares brilham no céu flutuante.
Um lampião aceso, e os negros mares,
Trissares de estrelas no quadrante.

Espetáculos ébrios de pulsares,
Aos pares, em silêncio causticante.
Um furacão represo invade os ares,
Vulgares beijos, lume irradiante.

Paro-me em meio a três pilares:
Oculares Três Marias, vagante,
O céu gira em turnos regulares,
Hectares tão longes, tão distante!

Tão vívido de paz busco lugares
Que permeiam o infinito semblante
Das estrelas, mães espetaculares!
Tão vívido, e mais, e mais luares!
O céu é incrustado de brilhante,
E as estrelas são gigantes altares!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

GABRIEL RÜBINGER: GRUPO POESIA RETRÔ



O Acender da Pira

Desfraldam-se as nuvens altaneiras
no glacial brancor da antiga Roma,
e um vate colhe a ode, e do ar toma
as brumas soniais das oliveiras...

O escravo faz coroas derradeiras,
e as põe no altar de fora, onde o aroma
que invade curioso o bosque, assoma
os mármores, as folhas, as roseiras.

O Sol atrás morrendo. A tarde expira,
no esmaecer de sombras, de falenas
dançando flébeis, no calor da pira.

A terra cobre o corpo, e as serenas
estrelas lacrimejam. Resta a lira,
tangendo até o chorar das açucenas...