Mostrando postagens com marcador Joan Ponç. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joan Ponç. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de abril de 2012

FELIPE STEFANI: POEMA


(Joan Ponç)


A CASA



A mesa, o sonho, a voz.
O transbordar das ruas em minha vida fechada,
ou tudo o que desliza no ventre da idéia,
ou meu tempo de muros cercando árvores secretas.

No outono é onde os teus olhos correm
pelo espaço dançarino do nosso pensamento,
pois pesam juntos os corpos que queimam as casas,
e o pão sobre a mesa.

Mesmo que os centauros da aurora
levantem em nossa guerra
o pecado anterior ao pecado original.

E então oh, minhas aves ébrias
que respiram a benevolência de tuas mãos.
Morrerei de uma tristeza indizível,

pois a carne de tua boca terna no ouro vivo dos meus lábios breves.

Ou morrerei pela inocência.
Repito: vida.





***

Primavera 2010.



FELIPE STEFANI: POEMA


(Joan Ponç)


MANHÃ

As barcas ao amanhecer ,
cortando as ondas,
trazem no traço de espumas,
os silêncios do nunca.

Pesa o estremecer do meu vulto
contra essa flauta muda.

O sutil rumor da engrenagem
estala
inaudito infinito.
A cidade passa ao fundo.

Lembrarei essa verdade silente
na tarde,
como uma fenda no sono da vida,
a monstruosa existência dos dias,
que meu vulto abriga.

As barcas e seu silêncio imenso
ao amanhecer.




***

Sydney, Setembro 2010

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

STEFANNI MARION: POEMA


(Joan Ponç)

.o canto do demônio.

solto pelo vento, enquanto o tempo perene
versa terror contundente e inesquecível.
solte-me, solte-me no meio deste turbilhão,
enquanto tento amar lêvedo e prudente.
tudo que desejava era você contando-me
sobre as estrelas no coração do oceano,
suas noites e peixes trazidos
nas redes de pesca.

noções de uma vida suplicada em seus olhos
sempre tão mutáveis como as fases da lua.
somos cinco, um dia seis.
não tive pai, não senti amor,
apenas queria seus braços
e ouvir seu coração batendo bem perto
ao meu – ao meu – ao meu.

STEFANNI MARION: POEMA


(Joan Ponç)


.consolidação.

o balouçar dos tempos esta rangendo
o escárnio surgindo frio pela manhã
dentre vogais que se misturam
nasce a doçura brotando ingênua.
armadura ginasial nunca polida
dentre dissipados olhares se abrilhantam
sem rumo levando ao descobrimento
degelando essas sensações estupefatas
numa consolidação platônica dominante.

se eu tivesse um sonho
ele seria o pesadelo.
moeda em cobre fundido
no fundo da bolsa
nunca trouxe sorte.
se eu tivesse um pesadelo
um dia seria sonho.