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domingo, 20 de fevereiro de 2011

AMBER: POEMA




Leva a chave...

De repente me dizes: "Já vou!
Já não mais me fazes sorrir...
Possuo outros sonhos de amor,
amantes... manhãs no porvir"!

Se vais, eu não choro, nem nego
Recuso a deixar-te um entrave
Fecho a porta - à inércia me entrego
se não queres do sonho esta chave!

Ao lançar neste mundo teus passos
tens certeza: Não duras sozinho!
E terás de momento um abraço
o calor - mas jamais algum ninho...

Eu não deixo rancor nos teus lábios
se soletro no adeus doce beijo
pois de amor, quero a rosa e o calvário
Eu te amo... porém partir, deixo!

Quer a pompa de outro horizonte?
Estás farto de melancolia?
Não sou água mais pura das fontes
mas te oferto minha pouca alegria!

Vai sem medo, feliz em tua andança
Acostumo-me à ausência e seus males
Em silêncio eu reservo a esperança:
- vais embora, mas leva tua chave!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

AMBER: POEMA





ONDE SEPULTEI TEU PARAÍSO

onde sepultei teu paraíso?
onde eu andara enquanto adormeceste?
por que de meus carinhos esqueceste?
tua fala traz o pranto, e não sorriso!

onde me afastei da tua estrada?
talvez os dias se perderam nas passadas
enquanto versos me tomavam o pensamento
eu vi desejo despontar num sopro lento!

prostrei e esqueço: incinerei as juras
quem sabe o viço esmoreceu no fogo eterno
e a luz do sonho amor invade - outrora cego!

desfiz os laços! Nada resta: só amargura
tu eras anjo! hoje um reles mortal vivo!
não volte à praia onde enterrei teu paraíso!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AMBER: POEMA



TORMENTA

em treva... o céu, encerra o céu, esta tormenta
ventos funestos furtam o ar da calma brisa
por que o negrume qual teu olhar me paralisa?
por que esta chuva qual meu pranto em dor se ostenta?

eu temo os raios... temo o claro risco em fogo
desabar do firmamento em pestanejo
são os deuses acusando-me do pejo
de blasfemar o amor perdido em tom jocoso!

hoje não durmo: saio a noite em meio a chuva
ainda que eu perca-me nas águas truculentas
a enterrar em carne as gotas quais agulhas

e depois da tempestade, és tu, loucura!
ao fim das águas, já deixaste a alma sedenta
refém do inferno pluvial que me atormenta!

AMBER: POEMA



NEGRA REVOADA

Escrevo um verso e vejo espíritos inquietos
tingindo abóbadas do céu crepuscular
a imagem tua fende o peito a ofegar
és um presságio de futuros tão funestos

Não quero o sono, temerei fechar os olhos?
e entrever minha fria e negra sepultura
Ah! não chega a alvorada, e esta tortura
afugenta a curta paz dos calmos sonhos.

Oculta o trágico pungir da noite amarga
ao fundo do horizonte, sinto o nada...
vem as ondas e rezo ao firmamento!

Quem dirás que eles me levem - vou morrendo
do desconhecido o ósculo aquiescendo
sob a algia desta negra revoada!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

AMBER: POEMA




TUAS ASAS ME ENVOLVERAM

Maculaste a inviolável das verdades
Quando o beijo a ti servira qual um abrigo
Fui teu ego, fui teu chão, melhor amigo
Da Terra, o único ser da humanidade!

Onde andas? Já não sei... Não mais te sinto
Agora é fúnebre o poente que almejei
A dor do teu fantasma fere o siso
Pesando em mim os dias que enterrei...

Sorveste do meu coração tão cálido
O belo - o sangue! O riso e a luz da aura
Faminto ósculo, tirou da boca o lábio!

Despertou, o anjo liberto! Abriu as asas:
De sangue e rosas cobriu meu epitáfio
Deixou a morte e levou minha pobre alma!