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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

LEITURAS




O livro de poemas A Queda da Bastilha, da poeta e romancista Leila Krüger, expressa em versos uma poesia pautada pelo sentimento. Versos líricos que proporcionam uma leitura fluente e leve que conduz o leitor.  O Eu lírico não se oculta em contenções vazias e experimentalismos lingüísticos estéreis característicos de muita “poesia” que se quer vanguardista mesmo diante do esgotamento das vanguardas como fato histórico. Sua poesia não nega o senso estético em prol do obsoleto. Se há certo exagero confessional em alguns poemas, o leitor é compensado com indagações poéticas e versos que lembram poetas expressivos como Mario Quintana e Cecília Meireles, o que faz de A Queda da Bastilha um belo e significativo livro de estréia.

 

Hilton Valeriano

 

 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

POEMA


(Marc Chagall)
 
 
 

POEMA PARA O SONO DE MARTA
 
As razões de quem ama
não são argumentos.
Estratagemas para sentimentos
no amor não se pode tê-los.
As evidências de quem ama
são fatos secundários
como as alamedas
no mês de maio.
 
Os amantes sabem
do improviso
– flor casual do destino.
 
É possível que o amor seja
mesmo sem a convicção dos teoremas.
Leve – como no sono se propaga
o sonho em Marta.
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

POEMA


(Edward Hopper)



LUGARES VAZIOS

Há lugares vazios em que habitamos
por escolha ou decisões alheias.
Lugares vazios onde não há flores
sejam de plástico ou verdadeiras.

Triste jardim de sementes malsãs
onde cultivamos equívocos
provisórios
ou definitivos.

O que nos faz humanos
em nossa perfeição vã.



sábado, 28 de julho de 2012

EPIGRAMA


(Edward Burne-Jones)


EPIGRAMA (21)

Marta, é de supor que saibas
dos reveses do amor.
Não trazem as estações
em sua alternância
 a certeza da flor?

POEMA


(A Faxineira - W.J.Solha)


DESFECHO

Deveríamos saber de um sentido maior
que justificasse o que somos
feito o vento
ou uma canção reincidente
a trazer-nos luz.

Mais do que esperado,
aceito.
Dádiva consentida
pelas mãos do que supomos
seja a verdade
ou o derradeiro
desfecho
de um itinerário
inconcluso.

Porém mais do que
perfeito.





quarta-feira, 11 de julho de 2012

EPIGRAMA


(John Waterhouse)



EPIGRAMA (20)

Marta, para viver, amar se faz necessário.
Assim, não adiemos a felicidade,
tampouco ao passado seu préstimo cobremos.
No presente - somente - amemos.


sábado, 16 de junho de 2012

EPIGRAMA


(Edward Hopper)


EPIGRAMA (18)


Para um dia de luz,
sinta o que a multidão
não possa sentir.
Resguarde tua solidão
com a simples despedida
de um aperto de mão.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ENSAIO SOBRE O ARTISTA PLÁSTICO FELIPE STEFANI



ASSIMETRIA, ESBOÇO E PROJEÇÃO: A ARTE DE FELIPE STEFANI

Hilton Valeriano



Pode a arte apreender o movimento primevo do nascer das coisas e dos seres, de seus gestos, acontecimentos, vivências? Antes do fato, os sonhos; antes do anseio, os projetos; sempre a possibilidade.  Os desenhos de Felipe Stefani, artista convicto em seu ofício, parecem demonstrar o fluxo premente da existência antes de sua realização nas dimensões da temporalidade. Uma obra marcada por traços assimétricos, onde início e fim confluem, onde o desfecho paradoxalmente inconcluso expressa formas vindouras, repletas da instabilidade característica do movimento, e que revelam um intento permanente de criação. Longe de uma mera abstração sintética, seus desenhos manifestam a forma, isenta de toda matéria, em seu prenúncio. Sua subjetividade de artista busca o instante nascedouro, o esboço humano de concretização, o que nos leva à questão da definição de um ser em sua essência.






Se as ações do homem não o definem como um ser estático, mas sim como um ser sempre projetado, o espaço aberto, espaço esse constitutivo da liberdade em suas múltiplas escolhas, ou seja, o futuro, evidencia o campo de possibilidades nunca definidas, nunca concretizadas, a continuidade da vida como fluxo de projetos a se realizarem como significação provisória.  Assim, podemos pensar os desenhos de Felipe Stefani nas suas dimensões estéticas em três planos analíticos: assimetria, esboço como forma inconclusa e espaço de projeção. 





 Assimetria

Tendo a ação humana como realização de seu intento a possibilidade ou não de concretização, transposta para o âmbito da arte como subjetividade criadora, seus traços, simbolicamente representados como projeções, só podem ter a assimetria como apreensão do movimento intencional característico do humano em sua manifestação.





Esboço como forma inconclusa

A possibilidade de concretização da ação humana revela o projeto como significação, como instaurador de sentido, mas sendo possibilidade, só pode manifestar o esboço em seu anseio de realização, ou seja, sua forma inconclusa porque não determinada.





Espaço de projeção

Apreender a ação humana em seu intento e simultaneamente mostrar toda a dimensão provisória de sua realização, toda a possibilidade ou não de concretização de seus anseios, revela a principal característica do homem: a liberdade. A liberdade como dimensão definidora do homem, como sua essência, só pode ser percebida nos desenhos de Felipe Stefani se prestarmos atenção na relação estrutural, semântica existente entre os seus desenhos e a folha branca, que apresenta-se como espaço de projeção. Seus desenhos parecem nascer, brotar da folha branca como um sentido a clamar pelo homem. 







A estética de Felipe Stefani ecoa as palavras do poeta Murilo Mendes: “O homem é um ser futuro. Um dia seremos visíveis.”

LEITURAS ( A PEDRA DE BABEL)




LEITURAS (A PEDRA DE BABEL)





Se um dos postulados teóricos da fenomenologia é de que a consciência encontra-se sempre em um processo de intencionalidade, ou seja, o “eu” sempre em referência a “algo”, o livro A pedra de Babel, do romancista e filósofo Edilson Pantoja, nos mostra a problemática presente em um dos pilares do pensamento contemporâneo: destituído de seus alicerces metafísicos, como pode a consciência não perder-se em seu próprio labirinto de significação? Uma busca fadada ao malogro devido à ausência de uma referência transcendente, de um sentido Absoluto que justifique os atos humanos em seu permanente anseio de completude semântica. A pedra de Babel, epopéia da solidão pós-metafísica, mostra-se como uma narrativa do niilismo; uma perspectiva filosófica próxima ao pensador alemão Nietzsche. O homem deve buscar a única “oferta possível de sentido”, a arte em sua transfiguração existencial. Um livro denso, por tratar de forma literária uma das maiores questões do século: o que fazer do homem sem a principal característica que paradoxalmente o definiria em sua essência: a transcendência?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

EPIGRAMA


(Arthur Hughes)


EPIGRAMA (17)

Marta, não saberia dizer
do amor sua verdade.
Apenas sua condição,
e o que desejamos que seja:
dádiva congênere da Natureza!

quarta-feira, 14 de março de 2012

ENSAIO





ABSTRAÇÃO, FIGURAÇÃO E INTEGRAÇÃO: A PINTURA DE FELIPE GÓES





Hilton Valeriano





A arte é o invólucro da verdade.”




Se a arte é a forma visível da representação, o universo temático de Felipe Góes mostra-nos a simbiose entre a abstração e a figuração. Paisagens marcadas por uma luminosidade integradora de cores que proporcionam a impressão de anulação do expectador ante as cenas, ou seja, o sentimento pleno de estar inserido em um espaço de vivência não apreendido reflexivamente. Se no âmbito da fenomenologia a consciência encontra-se sempre em um estado intencional, a pintura de Felipe Góes nos leva ao questionamento da possibilidade de apreensão do real como vivência intencional da subjetividade. O “eu” como oposição ao meio – representado pelas cenas e paisagens – dissolve-se por não se delimitar como consciência reflexiva e sim como sentimento integrado. Uma característica peculiar de sua pintura gerada pelo jogo de cores ou ofuscação parcial de suas diferenças em um processo de luminosidade e leveza. Se for comum a alguns artistas revelarem seu intento, a obra de Felipe Góes traz em si a ocultação pelo jogo expressivo das cores e suas possibilidades de apreensão. Apreensão como vivência não reflexiva. Poderíamos dizer que sua arte não se encerra em um plano conceitual. Outra característica importante de sua pintura é a relação que se estabelece entre a parte abstrata e figurativa de suas telas. A figuração estabelece-se em uma planificação abstrata. Esse plano abstrato é responsável por engendrar a carga significativa da obra. Em suas cenas ou paisagens não há ruptura entre abstração e figuração e sim complementação semântica. Destaquemos alguns paradigmas estéticos de reflexão proporcionados por essa obra autêntica.




1 – As cores não devem apenas prover os sentidos, mas engendrar o sentimento de toda criação.



 A apreensão da obra em seu âmbito figurativo evidencia o plano criativo do artista, mas não como compreensão conceitual ou referência de estéticas que tenham influenciado o pintor em seu gesto criador. A apreensão se dá como participação intersubjetiva, como fruição estética decorrente da conjunção de cores e sua planificação.





2 – O plano figurativo de uma obra pode estruturar-se a partir de uma dimensão abstrata provedora de significação.


As paisagens ou figuras estruturam-se a partir da relação conjuntiva das cores e sua planificação abstrata. A dimensão abstrata apresenta-se como provedora da figuração e significação da obra.





3 – A apreensão de um universo temático como vivência não reflexiva.


O expectador é tomado pelo conjunto figurativo. O contato com a obra dá-se pela imersão vivencial. Vive-se a obra como figuração de uma realidade onde a consciência está imersa como parte integrada e não reflexiva.



4 – A obra como ocultação do intento do artista.


A conjunção entre dimensão abstrata e figurativa gera a multiplicidade de significação. Conseqüentemente o intento criativo do artista torna-se oculto ou obliterado pela vivência subjetiva do expectador.




5 – A obra como jogo de apreensão de vivências mediante a anulação do “eu” expectador.


Na pintura de Felipe Góes traça-se a anulação da consciência reflexiva em prol de uma vivência apreensiva da obra. A pintura de Felipe Góes não pode ser pensada antes de ser vivida em sua significação.





sábado, 10 de março de 2012

POEMA


(Turner)


NO ÚLTIMO JULGAMENTO

Somente o amor e suas consolações. A minúcia das horas e o amparo dos dias. Em cada gesto um tributo ao tempo. Mãos que se unem em presença vivida. Lívido e incólume, o olhar sobre o definitivo. As insinuações de outrora rememoradas em resignação, os equívocos destituídos de significação. No último julgamento não se prescinde da culpa.  Uma rosa fenece sobre o estio. Para a consumação de todas as esperanças.


sexta-feira, 9 de março de 2012

POEMA


(Turner)

O IRREMEDIÁVEL

Porque agora atravessamos o horizonte fixo do silêncio. Como outrora, a luz ilumina a esperança de certezas rudimentares. Cálido é o amor e simples como a água dos cântaros. Saciamos a sede do afeto remido. Do amparo exímio. Isentos da solidão sedimentada e da graça exclusa, de alguma forma antecipamos a recompensa de ser. A lucidez de persistir ante o irremediável e de acreditar ante a perda do que nunca possuímos derradeiramente. Caminhamos sobre o infinito de nossos passos.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

AFORISMO


(Nicoletta Tomas)



"Amor: quantas palavras necessárias para que um gesto torne-se inscrito no tempo?"


POEMA


(Modest Cuixart)


ESSÊNCIA
Caminhas sob a noite como um sol póstumo.
Passos tardios de disseminadas lembranças.
Desfolha-se o sono dos esquecidos.
Há uma verdade para os olhos,
sua essência não se restringe aos fatos.
Há uma verdade para o coração,
sua essência não se restringe à solidão.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

AFORISMO


(Jackson Pollock)


238
"A arte é a forma visível da representação."


sábado, 11 de fevereiro de 2012

AFORISMO


(Barnett Newman)


237
"A arte é o invólucro da verdade."


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

EPIGRAMA

(Nicoletta Tomas)



EPIGRAMA AO POETA JORGE ELIAS NETO


Do que se faz ou do que se espera,

da verdade dita e não ouvida,

fica a mentira

em que cada um habita.







terça-feira, 27 de dezembro de 2011

EPIGRAMA




EPIGRAMA AO POETA ROMMEL WERNECK


Há uma luz para poucos,

como o trigo em colheita escassa.

Mas sua essência perdura

- Divina Graça -

aos eleitos de obra rara.






segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

EPIGRAMA



EPIGRAMA





Amor, raro,

de ilusões não se vende,

apenas quem consente

o valor de quem mente.