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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

JOÃO CABRAL DE MELO NETO: POEMA




A GIRALDA




Sevilha de noite: a Giralda,

iluminada, dá a lição

de sua elegância fabulosa,

de incorrigível proporção.



Os cristãos tentaram coroá-la

com peristalgias barrocas;

mas sua proporção é tão certa

que quem a contempla não pousa



nem nas verrugas do barroco,

nem nas curvas quase de cólica:

quem a contempla não as vê,

são como pombas provisórias.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

JOÃO CABRAL DE MELO NETO: POEMA

(Fra. Angélico)




CARTÃO DE NATAL

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem,
o sim comer o não.