sábado, 21 de abril de 2012
AFFONSO ROMANO SANT'ANNA: POEMA
terça-feira, 16 de novembro de 2010
CLOVES MARQUES: TANKAS II
Quantas vezes fiz
baço o frescor do seu dia,
oh minha perdiz.
Quando a ave é de rapina,
roubar o amor não é sina.
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Minha doce Amada
sabe o quanto faz o amor
ser brasa avivada.
Inflamável, a pele aceita
ser rastilho à colheita.
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Foi assim, Amor,
o silêncio entrecortado,
gotas de suor.
Uma, deu sabor ao beijo,
Outra, fez despido o tempo.
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Tão somente seja
– nem lua, nem sol –
das dobras do amor.
Uma onda, Esposa, cobre,
a outra, seja o que for.
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Plantei em seu sexo
lâminas de brilho, Amor,
e com o sol nascente
vi explodir em seu ventre
a justificada luz.
Do livro Tankas de Amor Amado. Ed. Casa de Taipa.
sábado, 13 de novembro de 2010
CLOVES MARQUES: TANKAS
Fazer é ato de
dor que só fere a quietude:
ré necessidade.
Sísifo proclama basta!
Se encalha na vaidade.
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As cartas deságuam
revoadas de punhais
– os ditos conselhos –
a quem às vezes enxerga
e nem precisa de espelhos.
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Há desconfiança
na pele antiga da dor.
Inventa verdade,
vara muitas paciências
essa dor que é piedade.
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Descansa o sagrado
entre a chama do dever
e o atroz direito.
Toma o fogo, oh, Prometeus,
e deita brasas no peito.
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Enfrento o processo.
Qual a forma desejada?
A do sofrimento.
Na diferença dos homens,
paradoxo é seguimento.
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Viver abandono
tem desinência de dor
em todo animal.
Mastiga o nada do mundo,
pois tudo mais é fatal.
Do livro Noturno - tankas da madrugada. Ed. escrituras


