sábado, 20 de julho de 2013
W.J.SOLHA: ESSE É O HOMEM - EXCERTO II
quarta-feira, 11 de abril de 2012
W.J.SOLHA: MARCO DO MUNDO EXCERTO III
quinta-feira, 5 de abril de 2012
FELIPE STEFANI: POEMA
O silêncio invade
as rotas da indagação.
Existo?
E as flautas do mar recobram o olvido.
II
E eu que amava o sonho dos pássaros,
dizia as vozes imprevisíveis
que dormiam no mar:
"Como posso sonhar,
se a exatidão em que navegam as aves
é maior que a própria vida?"
E as sombras do silêncio repetiam:
"É preciso cantar para invadir o segredo".
***
Manly Beach, Austrália 2010.
quinta-feira, 8 de março de 2012
AFORISMO
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
SÔNIA BRANDÃO: OLHAR POÉTICO
ILUMINAÇÕES
1.
No espelho do tempo
a pedra há de florir.
2.
Meus olhos conhecem
o segredo das pedras.
3.
Canto para o pássaro.
Tenho uma árvore no peito.
4.
De tanto olhar o ninho
nos meus olhos
nasceram pássaros.
5.
Tecendo desenhos entre o céu e a terra, as
folhas voam como borboletas loucas.
6.
O grito dos bem-te-vis sangra o silêncio do dia.
domingo, 10 de outubro de 2010
DRUMMOND: POEMA PARA CRIANÇAS
Eu não vi o mar.
Não sei se o mar é bonito,
não sei se ele é bravo.
O mar não me importa.
Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande
e calma também.
Na chuva de cores
da tarde que explode
a lagoa brilha
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.
Eu via a lagoa...
sábado, 9 de outubro de 2010
VINICIUS DE MORAES: POEMA PARA CRIANÇAS
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque a casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.
domingo, 7 de março de 2010
MÁXIMAS OU AFORISMOS III
A vida pode tornar-se bela e grandiosa, desde que não acreditemos nela, pois a vida em si não possui sentido algum. Mas a partir do fato de existir, refiro-me ao fato concreto, o exemplar único e singular de cada ser humano, a vida pode tornar-se significativa.
Não compete aos deuses a dádiva do gozo.
No ofício do amor os corpos transgridem o espírito.
Na grandeza ou na miséria o homem é indigno.
Caminhamos para a escravidão tão logo nos sabemos livres.
Diante do paraíso o homem hesita.
O que deploramos nos outros não são seus defeitos e sim suas qualidades.
Exasperar-se de seus limites é sempre um sinal de vaidade.
No amor, raramente perdoamos o sentimento de vingança.
A esperança de todo homem não termina com a morte e sim com suas desilusões.
Também destruímos ao amar.
Não raro, no sacrifício encontramos a fúria das consolações.
Nem mesmo no amor prescindimos da solidão.
Nas grandes desgraças o homem reivindica a Deus o seu destino.
Há múltiplas formas de amor, mas só um desejo.
Amor: cobiça do corpo.
Amor: anelo do coito.
A alegria: em sua raridade, uma dádiva não compreendida.
Há traições que não carecem de perdão.
Amor: raro enleio em meio ao incerto jogo das representações.
Também na verdade encontra-se o vício.
Obs: aforismos de minha autoria protegidos por direitos autorais.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
MINÚCIAS
O chafariz
envelhecido
outrora reluzente.
Espólios
do tempo.
II
Espalhadas
ao redor
do jardim,
as amoras.
Tênue
tapete
carmesim.
III
O poço d’ água
entre o canteiro
de hortaliças.
Tivemos sede
e bebemos.
IV
Sobre as telhas
da dispensa
galhos apodrecidos.
Prelúdio
da existência.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
DOIS POEMAS DE NYDIA BONETTI
o dia de repente desbota. o vento sopra poeiras antigas - gravetos, painas, folhas e flores de dente de leão. na casa em frente, lampiões seculares se agitam. enlouquecem os pássaros, cães se escondem, árvores alteradas dançam num balé convulsivo. mulher puxa depressa os meninos pra dentro, arranca a roupa do varal, fecha correndo portas e janelas, acende velas, prepara a palma benta pra queimar: a chuva vai chegar.
DESARVORADA
árvore antiga









