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sábado, 25 de setembro de 2010

DENISE SEVERGNINI: GRUPO POESIA RETRÔ




Romanesca


Oh!Amado dos mantos em negrumes espectrais!

Dedilho-te em evanescentes filigranas auspiciosas.

Lassidão absorta a tua... Evoco Posseidon nos abissais,

Rogando-lhe tua anátema destas hordas prestigiosas!


Numa abóbada celeste guarnecida de meus fadários

Esquadrinho-te como pulcra figura do bem fantasmal

Não nego amar-te... Pouco de ti apreendo nos hinários

De meu lied conspícuo, entoado a ti no cortejo sepulcral


Nulo ósculo, inexistente amplexo... Somente falácias.

Eternal viuvez de um femíneo íntimo deslumbrado!

Eu: Romântica nas expectativas, dolente nas tuas inércias!

Cavaleiro das plangentes azinhagas, tu és desalmado!


Tombo no vácuo noturno... E o plenilúnio tão denso

Vocifera toda crucificação no feminil cerne sacrificado

Altivo cavalariano, declina do negro corcel e propenso

Oblata amor a esta dama detentora de imo extasiado!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

DENISE SEVERGNINI: GRUPO POESIA RETRÔ




Ósculo Ausente

Nas cortinas do tempo, bordei minhas quimeras

Templário de sonhos, foste tu, que arquitetei

Observei-te ao longe, já de outras e outras eras

Sorvendo as essências daquele beijo que não dei


Na medievalidade da existência, enclausurei-me

Nos antros de fantasmais e impenetráveis castelos

Oh, Deus!Como não afoitei do cavaleiro achegar-me?

Hodierno estado, são as acabrunhas dos meus anelos!


Símplice plantinha, na estrada, observei tua passagem

E preservei no âmago do meu ser, tua figura heróica

Beijei-te, em filigranas de sonhos, mas sem coragem

Nunca proferi sequer eu te amo, na paisagem bucólica...


Bailaram as sazões, os meses, os anos... Novas estações

Maquiei-me de rugas, encaneceram as minhas melenas

Anego ainda em meu ser ósculo ausente... Tantas ilusões

Rascunhei uma biografia em sonhos!Esperei como Helenas!