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quinta-feira, 22 de março de 2012

ROMMEL WERNECK: POEMA


(Holman Hunt)


A UM EFEBO


Já não és mais imberbe, velho efebo!
Cresceram enfim teus pêlos, teus músculos
E, afogado nos teus alvos crepúsculos,
Contemplo tuas novas formas, Febo!


Muda teu rosto, olhar em que percebo
Que me rejeitas; ó teus vis escrúpulos,
Adolescente, afundam-me em minúsculos
Locais, pois eu virei pobre mancebo.


Fez-te mais belo ainda a Mãe Beleza
E a mim a infância deu com forte horror!
Não te iludas jamais co’a tal nobreza


Pois a beleza não mostrará cor,
Na marcha do mau tempo só vileza:
Sombras e luzes sobre ruga e dor.



ROMMEL WERNECK: POEMA


(Holman Hunt)


PLENO DE ESPLENDOR


"O grito que ora prendo é só por ti..."
Ronaldo Rhusso


Grita a Cruz as virtudes esquecidas
Gotejando fulgores, uns matizes
Que invadem minhas lúgubres feridas...


Há sacrossantas flamas que, em deslizes,
Encantam-me num êxtase de vidas
Dando alvuras aos sonhos infelizes


E penso que és tão pleno de esplendor


Porque o cedes a todos com amor!



ROMMEL WERNECK: POEMA


(Holman Hunt)

CAI O PANO


Desçam as cortinas vis do meu teatro!
Os tecidos pobres que infestam meu ser!
Abandonem suas frisas e lugares!


Acabou mais uma cena minha, partam!
Tudo terminou, melhor, foi quase tudo!
Eu quero beber feliz, mas solitário...


Sozinho chorando as horas finais


Enquanto se rasga o velho véu do templo...

ROMMEL WERNECK: POEMA


(Holman Hunt)


BELEZA



Pétalas belas, pluma bem brilhante,
Brisa tu és, sublime bruma amante,
Que me bebe no abraço brutamente...

Braços abertos, brunos paraísos,
Pelas vagas dos beijos imprecisos,
Pelo bravo brasão palidamente...

Pétalas murcham, plumas caem tortas...


Braços flácidos ficam, brumas mortas...