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terça-feira, 22 de maio de 2012

JOSÉ MARCUS DE CASTRO MATTOS: POEMA


(Bosch)

ONTOGÊNESE

Fui há um tempo (marino-seio)
Réptil e peixe – completo –.
(Antes, talvez, seiva
Que herdo em úngula
E cabelo.)



Sou há um tempo (terreno-meio)
Dúctil e feixe – falto –.
(Antes, talvez, veia
Que lego em pústula
E macero.)



Serei há um tempo (aéreo-teio)
Fértil e dêixis – pássaro –,
Ou, enfim, senha
Que levo n’alma
E libero?

JOSÉ MARCUS DE CASTRO MATTOS: POEMA


(Caravaggio)


MITO

Posto-me, ante isto, num arcado de monge erudito (como se, insonte, fosse/não fosse o lígio).


No fascínio, cumpro os ritos: – Dôo-lhe, servo, pneuma e sangue, exigidos.


Percorro, símile, o plectro vazio, e, nele, o limite, encontro, extravio.


Assimilo instintos, domínios: – Epicentros provo, intuídos; ditames finco, solidos.


Compreendo vezos, carinhos: – Curam, no lanho, pruridos; vazam, no seio, cupidos.


Pelejo lagares defendidos: – Desejo cetros d’ouro, azulegos chucros, interditos.


E, no conflito, ganho, perco: – Amantes, somos, inimigos.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

JOSÉ MARCUS DE CASTRO MATTOS: POEMA

(Albrecht Dürer)


OFICINA DO PENSAMENTO

O Burgo Ao Longe Dorme Ainda E Sonha, Estranho
Ao Árido, Ciente Labor Dos Que Lamentam
Não Dar À Pedra A Forma-Ápice Que Intentam,
Na Luz Nascente, Baixar Dos Céus Tal A Cor, O Tamanho.


Silentes E Insones, Ambos Entregues À Obra-Incrível,
Os Anjos Grande & Pequeno Dos Instrumentos Não Desertam:
- A Escada, A Balança E A Ampulheta Quiçá Despertam
Ao Sinete, Menos Embora O Cão-Dormente, Solidário, Impassível.


– Se No Exílio Dos Homens E Do Reino, Pequeno & Grande
Por Que Persistem Junto Aos Signos E Ao Material Disperso,
Ousando Imantá-los Face À Indiferença, À Vileza, Ao Tempo-Avante?
– O Que Guardam, Austeros, De Primeiro Ou Último Do Universo?


Confiados Por Dürer Ao Eterno, Lidam Embalde Com Fórmulas-Secretas.
Não Importa. Em Algum Sítio Do Orbe, Vigoram Dignos, Alquímicos, Poetas.