Mostrando postagens com marcador Edward Burne-Jones. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Edward Burne-Jones. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de julho de 2012

EPIGRAMA


(Edward Burne-Jones)


EPIGRAMA (21)

Marta, é de supor que saibas
dos reveses do amor.
Não trazem as estações
em sua alternância
 a certeza da flor?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

BERNARDO SOUTO: POEMA


(Edward Burne-Jones)


JAVÉ

sou
o que sou

o golpe
do sim
contra o não

o rubro
grito
do trovão

a miragem
que não
se dissipou



terça-feira, 5 de junho de 2012

MAJELA COLARES: POEMA


(Edward Burne-Jones)


MINHA LENDA


Tisnam o ar    a poeira e o enxofre –
invadem os poros, a carne, o sangue

inundam a água ébria que escorre
na boca amarga, enorme do homem

turvas palavras assombram os céus
saltando do homem, da boca enorme

é dia, é noite... em olhos de breu
incerto amanhã na mente que sofre

desce o futuro veloz, busca o ventre...
último sopro de vida que resta

ressurge a morte nas dobras do vento
passado e presente... tempo deserto

dormi e sonhei, vi isto, sim, vi!
A minha retina agora e pra sempre

não vai esquecer a imagem de mim
perdido entre cinzas – sol já poente...

um gesto surgiu em meio à poeira
em forma de mão, o gesto me acena

segui o sinal – quem sabe  – pensei
a ultima flor, talvez, dessa lenda



quarta-feira, 30 de maio de 2012

IVAN EUGÊNIO DA CUNHA: POEMA


(Edward Burne-Jones)


Derradeiro Leito

Oh! céu da eterna noite escura!
Oh! mares fartos de pesares!
Tão triste vara pelos ares;
Meu canto cheio de amargura.

Se mais não tenho uma ventura,
Se mais não calmo são os mares,
Boa sorte é se mil azares;
Me atarem firme à morte dura.

Ah! que estes mares agitados;
Aceitem ser meu triste leito,
Guardando sonhos maculados,

E, num tormento mais violento,
Enfim arranquem de meu peito;
Amor, saudade e sofrimento.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

MARIEL REIS: POEMA


(Edward Burne-Jones)

Os anjos são espiões
I

Os anjos são espiões
Habitando entre as estrelas...
Ó criatura tão perfeita
Que provoca o ciúme celestial,
Por que não lhes pede um par de asas
E vai morar com eles no céu?

II
Embaixo do pessegueiro em flor
Sob a noite que ascende no horizonte,
O aroma mistura-se ao calor
que sobe da terra.
Consulto as estrelas
para saber quem sou,
E a lua brilha no Oriente.

III

Para consorte o bom amante
Deve seguir duas regras:
Tornar o amor sempre presente
E rodar por toda a terra
Murmurando apenas o nome
Que é a chave de sua alma...
Para quando a morte o chame
Mostrar que é um caminho sem volta
O coração do amante.



quarta-feira, 11 de abril de 2012

W.J.SOLHA: MARCO DO MUNDO EXCERTO IV


(Edward Burne-Jones)

Sente-se,
no entanto,
o Poeta - mais do que a fêmea - alma gêmea da Terra,
florindo, produzindo cantos, leões,
além de libélulas, versos, faisões
e,
novamente,
trovões
que passam - em nuvens - pela estrutura dura,
da construção,
como heróis pela aventura,
até que se retêm na vidraça,
que um simples olhar ...  ultrapaça.                      

Aí,
num dia
sobre quatro  noites macias,
chega o Imortal

e diz,
teatral:

Por que,
milênios após Homero,
parte pra essa obra,
se o que existe no mundo, em versos,  
já sobra?

O fato de que a moça não pode,
mais,
ser menina,
e de que Inês é morta
é mais do que você suporta?

Por que versos
se nesse universo,
dos mais temidos,
colinas já estão niveladas
e os vales bem preenchidos?

Não vê que o poeta  é um deus...  com templos que já são museus?

Não vê que, feito impressora, ele faz cópia de cópias de versos de  tempos idos,                                                                                  
a que ninguém,
mais,
dá ouvidos,
porque Álef  - Boi – já tem todos os bois,  e Beth – Casa -  todas as casas,
e que o script, stricto sensu - enciclopédica e criticamente denso -  está escrito,
e
o que não está,
proscrito?



O Poeta,
no entanto,
diz que,
se não verseja,
sente-se o K. de Kafka:
enquadrado numa lei
que não foi pra gráfica      

... e que Beth segue Álef como  Cão segue Gatilho,
e a diferença entre Mickey e Minnie pode ser, só, de cílios.

De todo jeito,
nada parece mais solto do que um planeta,
que jamais foi livre.

É,
mas a Terra 
vive...

... e eu vi a originalidade – apesar dos is - agarrada à unha por arquitetos art nouveau,  como Domènech i Montanes
e Gaudí i Cornet,
na Catalunha.


W.J.SOLHA: MARCO DO MUNDO EXCERTO V


(Edward Burne-Jones)


Pelo Livro dos Jubileus,  de São Miguel Arcanjo,
invenção  dos judeus,
se juntarmos o Burj Khalifa às Petronas Towers, Jin Building e Sears Tower,
teremos,
contra o céu
o equivalente à Babel.


E,
como assim se permite  que seja o céu o limite,
o Poeta,
travesso e possesso,
apressa o processo,
fazendo com que as pétalas aflorem dos cálices das flores,
cúmplices
e transbordem feito champanhe,
e com que as árvores do Marco – sem o que as acanhe – cresçam, floresçam e tenham seus filhos,
feito trens que não erram na treva,
graças aos trilhos.
Na mesma leva,
avia os voos em ovos,
adivinha novos vinhos em vinhas,
vê pintos de um dia com sanha de rinhas,
põe a eletricidade nos genes - sui generis - dos bondes puxados a burro e de lampiões a gás,
ele põe os genes da guerra
na paz.

Põe,
no futuro,
como mais um sinal,
bustos como que de bronze, pedra ou pau,
mas na verdade hologramas duros,
com medula,
como os de Horatius Flaccus,  Caetano e Gal,
e Cornelius Sulla.


Aí,
pela primeira vez – no milésimo andar – acontece que uma bandeira é exposta ao vento e a geometria amolece,
do mesmo modo singelo com que a foice altera o martelo e Iago adultera Otelo,                 


ao tempo em que,
de faróis acesos,
milhares de carros - novos e polidos - passam,
dos contêineres pro centro da Torre,
ao solo de clarineta ( da Rhapsody in Blue ),
all is truth,
que sobe,
arquitetônico,
do subsolo,
com arranha-céus
icônicos,
e é o canyon da Quinta Avenida,  
toda produzida,
exatamente quando nela acontece a invasão, fora de praxe,
de mulheres de Fellini,
imagine,
nas lojas da Cartier,  Tiffany, De Beers, Versace,
como se ali fosse La Città delle Donne,                   
ou La Cinecittà,
de Roma.