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domingo, 29 de abril de 2012

PEDRO DU BOIS: POEMA


(Eriberto Chagas)

 

DIFERENCIAÇÃO

Heróis inexistentes simbolizam
glórias não alcançadas
pela divindade obstruída
na condição terrena

heróis mundanos conservam
da divindade a ânsia
de etéreas transfigurações
dos deuses destituídos
da glória inalcançável

desfeitos em remediadas vidas
gestam arremedos de redescobertas.

PEDRO DU BOIS: POEMA


(Eriberto Chagas)


PAGAMENTO

Ao interlocutor digo sobre a ausência
das sementes lançadas pelo caminho,
do rastro deixado em terra fina,
na grana verde pisoteada: sobre meus
sentidos ignoro o rumo, do traço
apago a passagem. Da espera me digo
anômalo peregrino e do amor
- no plural - acho meu canto: minha vida
consentida é esboço do mundo amarelado,
velho para aventuras, fundeado ao largo,
submerso em pontes, decodificado além
das paixões em ruínas havidas da casa
adquirida em anos perdidos da família
na comiseração do corpo. Como cidadão
trago o mudo grito de satisfação e honra.
Da guerra a medalha circunscrita ao peito.
Sou ninguém e aos ouvintes - poucos -
declamo a vida em versos. O restante
pago pelo prato de comida.



PEDRO DU BOIS: POEMA


(Eriberto Chagas)


CONHEÇO

Conheço da casa o centro
onde elementos se refazem
em versos. O som da verdade
e o conversar dos deuses aproximados.

Pertenço a ela e sou a constância
do pensamento linear das famílias
construídas no abafar das mágoas
em entrechoques diários: margens
do cerco ao futuro descompasso
de quem vai embora.

Sei da casa a hora derradeira dos encontros
e da chegada do estranho que me transforma:

a unidade rompida pelo estrangeiro
e a visão adiantada do progresso.

Tenho na casa a incerteza de um dia
ter estado junto e feliz.