terça-feira, 5 de junho de 2012

MAJELA COLARES: POEMA


(Pieter Brueghel)


HOMEM OCO

       a Janilto Andrade 


Sob a vigília de um olhar de sono
dias escorrem entre sombra e luz
poucos percebem que na vista pouca
nem luz, nem sombra, deixam marcas sempre

as horas voam feito borboletas
pelas manhãs de um amanhã sem busca
vão entre flores e espinhos densos...

um olhar murcho pensa outros futuros
que se molduram entre as mãos e os dentes
de um homem surdo, oco, cego e rude
que na memória já não guarda um tempo



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