sábado, 12 de fevereiro de 2011

ALBERTO DA CUNHA MELO: POEMA



CASA VAZIA

Poema nenhum, nunca mais,
será um acontecimento:
escrevemos cada vez mais
para um mundo cada vez menos,

para esse público dos ermos
composto apenas de nós mesmos,

uns joões batistas a pregar
para as dobras de suas túnicas
seu deserto particular,

ou cães latindo, noite e dia,
dentro de uma casa vazia.

2 comentários:

  1. Que beleza este poema de Alberto da Cunha. Certeiro. Bela postagem, amigo!
    Abraços.
    Jefferson.

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