terça-feira, 11 de outubro de 2011

ROMMEL WERNECK: POEMAS

(Jean Delville)




TERZA RIMA II


A M.P.


Se podes me trazer o horrendo luto
No eterno sofrimento desta vida
Como deve ser bom morder o fruto!


Se deixas uma vítima ferida
Por teu rancor e sede de vingança
Quanta glória em sentir alma perdida!


Se iludes os teus homens de esperança
Fazendo sempre vis promessas vagas
Melhor o inferno me enfiar a lança


Se a beleza do mundo tu apagas
Por ofuscares tudo em teu aroma
É porque tu és uma das dez pragas


Se a tua ira a todos nós assoma
Em maldições de guerras tão supremas
Como te quero, lúbrica Sodoma!


Se rejeitas meus versos. Se blasfemas,
Se descrês no destino, em nossa sorte,
Se duvidas das flamas mais extremas,


Quisera então poder beijar-te forte!
Como queria estar nos braços teus!
Como queria deste amor a morte!
Como queria neste céu ser Deus!



PROSADOR


A M.P.


Ando lendo este mau prosador
E por isto virei seu trovador


O romance sublime que fez
Me mostrou que desejo o escritor


O seu rosto me trouxe palavras
E que tento nos versos compor


As palavras perfeitas que escreve
Me tornaram seu novo cantor


Nos poemas preciso exultá-lo
Revesti-lo de grande louvor


La vem ele na grã procissão
Eu que levo nos ombros o andor


O deus grego caminha elegante
Algum Sol pode ter mais fulgor?


O barão de café, nos meus sonhos,
Surge lânguido em leve palor


Como príncipe, herói de seus contos
E antes mesmo de um beijo d’amor


Ele volta aos romances que escreve
Na fumaça, no fim, no vapor.


3 comentários:

  1. De fato o Rommel é um expoente no campo da poesia neo-clássica! Grande beijo, Edir

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  2. É sim! E de obra rara em nossos dias de "poesia" experimentalista...e de peripécias linguísticas...

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